sexta-feira, dezembro 07, 2012

Ah, esses seus olhos!



Olhos que procuram pela noite, no metrô, nas ruas, nas janelas dos apartamentos acesos. Que observam cochichos, tecidos de roupas, cores de esmalte, pichações nos muros, doces na vitrine, reflexos nos vidros dos carros. E quando se deparam finalmente com outro olhar, até pensam em fugir, mas fixam-se por longos e intermináveis segundos.

Olhos incapazes de segurar as lágrimas frente a uma obra de arte, à saudade, à decepção, ao sofrimento de um amigo, às lembranças da infância, um momento de felicidade. Parecem até uma cachoeira. Por eles escorrem a tristeza, a angústia, a raiva, a força, a maquiagem e continuam mais lindos do que nunca.

Olhos atentos, que não se fecham ao que é feio, torto, miserável, injusto, àquilo que ninguém quer ver. E ainda chama a atenção de outros olhares. “Olhem! Isso não está certo!”

Olhos que não escondem, “janelas da alma” como dizem por aí. E se tentam esconder... Ah, quanto mistério! Não são tão bem sucedidos como você imagina, mas é impossível parar de encará-los. É um mergulho, é intimo, mesmo desconhecido.

Olhos sedutores, que provocam, atraem, devoram. Querem observar e fotografar cada detalhe. “Não, não apague a luz. Quero ver absolutamente tudo”.

Ah, menina, esses seus olhos! Profundos, profanos, sinceros, intensos. Me parecem armas. Armas de sedução e luta, para encarar a vida daquele jeito que só você consegue. São os mais belos que já encontrei.

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